segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Uma aventura de Natal

Há alguns anos, no dia 23 de dezembro.

Sentada no sofá, pensei em escrever uma carta ao Pai Natal:

São Pedro do Sul, 23/12/2006

Querido Pai-Natal:

Neste Natal, gostaria muito de o ajudar a entregar os presentes aos meninos portugueses.

Beijinhos

Joana

P.S. - Se me conceder este pedido, dar-lhe-ei muitas bolachinhas e leite.

Eu queria tanto que o Pai-Natal me deixasse ir com ele. Era a melhor prenda de Natal que poderia receber!

Na noite de 24 de dezembro, passados alguns minutos de adormecer, aconchegadinha na minha cama, alguém me acordou… Era o Pai-Natal!

“Estarei eu a sonhar?” – pensei.

Não, não estava a sonhar era mesmo ele. Levantei-me, vesti o meu robe e fui com o Pai-Natal.

Descemos até à sala, onde estava a árvore de Natal. De repente, ele tirou do bolso uma bola dourada, que parecia ouro, carregou num botão e, como por magia, fomos ter ao seu trenó que estava no telhado da casa.

Foi, então que parti em sua companhia, dando, assim, início, ao meu sonho…

A ordem das casas era o nome das localidades por ordem alfabética.

Começámos pelo Algarve. Parávamos em cima dos telhados das casas. Dávamos as mãos e com a tal bola parávamos o tempo e entrávamos nas casas. Comíamos bolachas e bebíamos leite, púnhamos chocolates nas meias que estavam nas lareiras, e presentes nas árvores de Natal.

Quando acabámos o Algarve, o Pai Natal esclareceu-me:

– Bem, como já acabámos o Algarve, agora, passamos à Amadora.

Mas eu olhei para baixo, e reparei numa casa muito pobre, sem luz, na qual não tínhamos parado. Então, questionei:

– Pai-Natal! Então e aquela casa? Não vamos? Porquê? Apenas porque são mais pobres? Não é justo! Se calhar é uma família que não recebe presentes há muitos anos…

– Pelo menos há três, nos anteriores era outro Pai Natal, mas reformou-se… Já não cabia no trenó… nem na chaminé! E não sei se dava presentes a esta família?!

– Há três anos?! E acha isso bem? As famílias ricas e com possibilidades recebem presentes e as pobres, que nem da família recebem, também não recebem do Pai-Natal. Acha isso bem?

– Não me escreveram carta nenhuma, logo não estão na minha lista. Não tenho culpa.

– Pai Natal, para no telhado da casa, se fazes favor – pedi eu.

– Tens razão, Joana. Vamos já lá parar!

E assim foi.

Parámos, entrámos em casa e eu perguntei:

– Pai Natal, lembraste quando numa casa eu te pedi para guardares as minhas bolachas e o meu leite?

– Sim, lembro. Está aqui. Eu não te comi nada!

– Dá-me, então, se fazes favor. Vou deixá-los nesta casa. Só mais uma coisa, tens aí alguma prenda para mim?

– Claro, Joana! Estás na lista dos meninos bons e recebi uma carta da tua irmã a pedir presentes para ti. E regras são regras!

– Boa! Eu não me importo de não ter presentes. Deixa-os nesta casa!

O Pai Natal fez-me a vontade!

Continuámos o nosso caminho e a nossa tarefa.

Quando terminámos, o Pai Natal levou-me a casa. Tal como o prometido dei-lhe bolachas e leite e fui dormir.

Na manhã seguinte, quando acordei, a árvore de Natal tinha imensos presentes e, como todos os anos, eu e a minha família fomos abri-los.

Eu recebi uma prenda (mesmo não estando previsto) e o embrulho tinha um bilhete que dizia:



Joana

Tu és uma menina muito bondosa e demonstraste-o ontem à noite. Agora estás no topo da lista e, se assim continuares, quando eu já não couber no trenó nomeio-te Mãe Natal.

Se isso acontecer, no ano em que for a tua vez, mandar-te-ei a lista de regras que estou a tratar de alterar, pois deste-me uma grande lição de vida, uma verdadeira mensagem de Natal!

Pai Natal



E assim foi.

Seis anos mais tarde, recebi um e-mail com as regras do cargo e o guia de manutenção do trenó que, agora, são computorizados acompanhando, assim, o progresso tecnológico de todo o Mundo.

Esta foi a minha aventura que vai continuar dia vinte e três de dezembro, quando eu tiver que montar o trenó. Mas, desta vez, sozinha!

Só para saberem, o Pai-Natal não deixou de trabalhar. Hoje é um famoso advogado que luta pela defesa dos direitos laborais dos duendes.



Joana
                                     1.º lugar no concurso «Palavras de Natal» 2011 (2.º ciclo)

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